Entre a criação de gado, o cultivo de bananas e a produção artesanal de derivados do leite, Eronilda Coutrin da Silva, de 61 anos, construiu uma rotina marcada pelo trabalho no campo e pela vontade de continuar aprendendo. Moradora de Caracaraí, no interior de Roraima, ela encontrou na produção de queijos e outros alimentos uma atividade que hoje faz parte da renda e do cotidiano da família.
A história de Eronilda ganhou destaque nesta segunda-feira (21), Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Com deficiência auditiva desde jovem, ela começou a usar aparelho auditivo aos 23 anos e conta que a tecnologia trouxe mais autonomia para sua vida, principalmente na comunicação com outras pessoas.
Casada há 46 anos com Antônio Cipriano Leal, de 68, Eronilda acompanhou o crescimento da propriedade da família. O casal começou a criação de gado com poucas cabeças e ampliou a atividade ao longo dos anos. Depois que os quatro filhos cresceram, ela passou a se envolver ainda mais diretamente com o trabalho rural.
O começo com nove quilos de queijo
Foi nessa fase que surgiu o interesse pela produção de queijo. Eronilda aprendeu com uma parente a preparar o tradicional queijo de manteiga e decidiu experimentar a receita em casa.
A primeira produção foi pequena: cerca de nove quilos. O queijo foi colocado em uma cesta e levado para ser vendido na feira aos sábados. O que começou de maneira simples abriu caminho para novos aprendizados. Com o tempo, ela buscou cursos e passou a diversificar a produção.
Hoje, além do queijo, Eronilda produz queijo coalho, manteiga de garrafa, iogurte e requeijão cremoso. O leite utilizado vem do próprio rebanho da família. A propriedade já chegou a produzir aproximadamente 100 litros por dia, embora atualmente o volume varie. Parte é destinada ao consumo da família e dos trabalhadores, enquanto outra parte é transformada nos derivados vendidos principalmente por encomenda.
A rotina da propriedade não se resume ao leite. A família também trabalha com o cultivo de bananas, comercializadas em Caracaraí e enviadas para Boa Vista quando há demanda da cooperativa. Os filhos participam das atividades rurais, enquanto o marido de Eronilda atua na criação de gado para corte.
Deficiência auditiva e autonomia
Antes de começar a usar aparelho auditivo, Eronilda enfrentava situações desconfortáveis no cotidiano. Segundo ela, algumas pessoas interpretavam sua falta de resposta como desinteresse, quando, na verdade, ela simplesmente não conseguia ouvi-las.
Com o aparelho, a comunicação se tornou mais fácil e ela pôde ganhar mais autonomia para conversar, trabalhar e participar das atividades da propriedade.
Atualmente, Eronilda também participa do projeto Bovinocultura de Leite, do Sebrae Roraima. Um dos próximos passos é reorganizar a cozinha onde os derivados são preparados, buscando melhorar as condições de produção. Ela também pretende contar com a ajuda de outra pessoa para as etapas que exigem maior esforço físico.
Aos 61 anos, parar não está nos planos. A intenção é justamente voltar a produzir mais e continuar aperfeiçoando o trabalho iniciado anos atrás com aquela primeira cesta de queijos levada à feira.
“Eu quero continuar trabalhando, melhorar cada vez mais a produção e conseguir fazer tudo do jeito que eu tenho vontade”, afirmou a produtora.