O ex-prefeito de Boa Vista e candidato ao governo de Roraima na eleição suplementar, Arthur Henrique (PL), volta a protagonizar uma quebra de confiança com o eleitorado roraimense. Após prometer que não deixaria a prefeitura da capital para disputar o Palácio Senador Hélio Campos, o político agora tenta emplacar uma nova inverdade perante os eleitores: a de que sua candidatura está regular e foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nas últimas horas, passou a circular nas redes sociais e em páginas de notícias alinhadas ao candidato um banner com a seguinte manchete: "TSE CONFIRMA REGISTRO DE ARTHUR HENRIQUE; CANDIDATO JÁ APARECE COM NOME E NÚMERO NO SISTEMA OFICIAL". A informação é categoricamente falsa.
Uma simples consulta ao DivulgaCandContas, o sistema oficial de divulgação de candidaturas do próprio TSE, desmente a propaganda. Embora o nome e o número de Arthur (22) apareçam liberados para a urna eletrônica — um trâmite legal e padrão para políticos que recorrem de cassações ou barragens —, o status oficial do seu registro é claro: "Indeferido em prazo recursal ou com recurso".
O motivo do indeferimento, explicitado na própria plataforma eleitoral, é a "Ausência de desincompatibilização (LC 64/90)". Ou seja, a Justiça Eleitoral julgou e determinou que Arthur Henrique não deixou o cargo de prefeito de Boa Vista no prazo exigido por lei para poder disputar a eleição suplementar estadual.
A manobra da elegibilidade
Estar cadastrado no sistema do TSE não significa que a candidatura foi aprovada (deferida). Pelo contrário. O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), em obediência a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), formou maioria e barrou a candidatura de Arthur Henrique no início de junho.
O político segue realizando campanha na arriscada condição de sub judice (sob análise judicial e aguardando julgamento de recurso), o que significa que os votos depositados nele no dia 21 de junho podem ser integralmente anulados. Ao divulgar que o registro foi "confirmado", a equipe do candidato tenta confundir o eleitor roraimense, maquiando uma insegurança jurídica iminente.
Promessa quebrada: o abandono da Prefeitura
A tentativa de distorcer sua situação no TSE soma-se a outra contradição flagrante. Quando reeleito prefeito, Arthur Henrique garantiu diversas vezes aos cidadãos de Boa Vista que cumpriria o seu mandato integralmente e que não usaria o cargo como trampolim, recusando a ideia de abandonar a prefeitura para o governo estadual.
No entanto, em maio de 2026, atropelando o compromisso firmado com os moradores da capital, o político deixou o Executivo municipal para encabeçar a chapa do PL ao governo.
A grande ironia do atual cenário político é que foi justamente essa hesitação em renunciar à prefeitura — acarretando na perda do prazo legal de desincompatibilização — que tornou sua atual candidatura irregular e alvo de indeferimento pela Justiça. Resta saber se o eleitorado de Roraima endossará um projeto que tem como base o abandono de um mandato municipal e a propagação de desinformação sobre sua própria legalidade.